Personagens que não existem no mundo real estão conquistando espaço nas redes sociais e movimentando um mercado cada vez maior. Criados com ferramentas de inteligência artificial (IA), os chamados avatares digitais podem assumir diferentes papéis, desde influenciadores e vendedores até supostos especialistas em determinados assuntos.
No Brasil e em outros países, perfis com personagens hiper-realistas já conseguem reunir milhares de seguidores em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram. Por trás deles, produtores utilizam ferramentas de IA para criar imagens, vídeos, roteiros e conteúdos em grande escala.
Frases como “ela não existe, mas paga meu cartão todo mês” e “tenho um plano infalível para o milhão”, presentes em tutoriais publicados nas próprias redes sociais, ajudam a revelar o potencial financeiro desse novo mercado.
Como esses perfis ganham dinheiro?
Os responsáveis pelos canais encontram diferentes maneiras de transformar o alcance dos personagens virtuais em receita.
Entre as possibilidades estão a monetização de vídeos, comissões por vendas em marketplaces, divulgação de produtos digitais e até a negociação de perfis que conquistaram grande audiência e engajamento.
Com a produção automatizada, um mesmo personagem pode aparecer em diferentes vídeos e até ter seus roteiros adaptados para outros idiomas, permitindo que o conteúdo alcance públicos de diferentes países.
Quando a IA passa a imitar pessoas reais
O crescimento desse modelo também chama atenção para os riscos associados ao uso da inteligência artificial.
Personagens artificiais podem ser apresentados como se fossem pessoas reais e, em determinados casos, assumir a aparência ou a autoridade de profissionais que nunca existiram. Esse tipo de conteúdo pode dificultar para o público identificar o que é produzido artificialmente e o que corresponde a uma pessoa ou informação verdadeira.
Especialistas alertam que a mesma tecnologia utilizada para criar conteúdos comerciais pode ser empregada na produção de golpes, conteúdos enganosos e desinformação.
O avanço dessas ferramentas, portanto, cria um cenário em que a aparência de autenticidade pode ser produzida em escala — e, ao mesmo tempo em que abre novas possibilidades de geração de renda, aumenta o desafio de distinguir personagens artificiais de pessoas reais nas redes sociais.